Qual modelo faz mais sentido para o seu negócio?
A dúvida aparece cedo para quem começa a importar: contratar uma trading ou estruturar a própria operação? A escolha entre conta e ordem vs importação direta afeta o custo da mercadoria, a responsabilidade tributária e até a velocidade de crescimento da empresa. Entender as diferenças antes de decidir evita surpresas caras lá na frente.
- Na importação por conta e ordem, uma trading importa em nome próprio, mas por conta do seu CNPJ, usando seu dinheiro e sua instrução de compra.
- Na importação direta, sua empresa é a importadora legal: assina os contratos, responde pelos tributos e precisa de habilitação no Siscomex (RADAR).
- Os custos diretos da conta e ordem costumam ser menores no início, mas a importação direta tende a ser mais barata em volume e dá mais controle sobre o processo.
- A escolha certa depende do seu volume, da sua estrutura interna e do quanto você quer assumir de responsabilidade operacional.
O que é cada modelo, em termos práticos
Na importação por conta e ordem, sua empresa contrata uma trading para executar o processo aduaneiro. A trading aparece como importadora no documento de importação, mas o bem já é seu desde o início: você paga o fornecedor, define o produto e arca com os tributos. A trading cobra um fee de serviço por isso.
Já na importação direta, sua empresa assume o papel de importadora de fato e de direito. Você negocia com o fornecedor, registra a Declaração de Importação no Siscomex, recolhe os impostos e retira a carga no porto ou aeroporto. Para isso, é obrigatório ter habilitação ativa no Siscomex, o famoso RADAR de importação.
Portanto, o ponto de partida para qualquer empresa que quer importar diretamente é habilitar o RADAR. Sem ele, a única saída é operar via conta e ordem ou encomenda. Para entender os critérios técnicos de cada modalidade, a Receita Federal disponibiliza orientações detalhadas sobre o tema.

Comparativo de custos entre conta e ordem vs importação direta
Veja os principais componentes de custo em cada modalidade:
- Fee da trading: presente apenas na conta e ordem, costuma variar entre 1% e 3% do valor aduaneiro. Em uma importação de USD 80 mil, isso representa entre USD 800 e USD 2.400 só de taxa de serviço.
- Tributos aduaneiros: são os mesmos nos dois modelos. II, IPI, PIS, COFINS e ICMS incidem sobre a mesma base. Entender a base de cálculo de PIS e COFINS na importação é essencial para não errar no preço de venda.
- Custo de estrutura interna: na importação direta, você precisa de um despachante aduaneiro próprio ou terceirizado. Esse custo fixo só compensa a partir de um volume mínimo de operações por ano.
- Custo de conformidade: na importação direta, erros na classificação fiscal ou na documentação recaem 100% sobre sua empresa. Na conta e ordem, parte dessa responsabilidade técnica fica com a trading, embora o risco tributário ainda seja seu.
Em resumo: para volumes baixos ou empresas testando produtos, a conta e ordem tende a ser mais eficiente. Para quem importa com regularidade, a importação direta costuma reduzir o custo unitário e aumentar o controle. Ou seja, a decisão entre conta e ordem vs importação direta passa necessariamente por um cálculo honesto do seu volume atual e projetado.
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Responsabilidades: quem responde pelo quê
Esse ponto é onde muita empresa se surpreende. Na conta e ordem, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos aduaneiros é do adquirente, ou seja, da sua empresa, não da trading. A trading responde solidariamente em alguns casos, mas o Fisco sabe que o negócio é seu.
Na importação direta, não há dúvida: sua empresa responde por tudo. Isso inclui:
- Classificação correta da mercadoria na NCM
- Obtenção de licenças de importação quando exigidas
- Recolhimento dos tributos no prazo
- Conformidade com normas técnicas e sanitárias, se aplicável
- Guarda dos documentos pelo prazo legal
Por isso, a importação direta exige uma equipe ou parceiro técnico que saiba o que está fazendo. Um erro de classificação fiscal, por exemplo, pode gerar autuação, multa e até apreensão da mercadoria.

Erros comuns na hora de escolher entre conta e ordem vs importação direta
O primeiro erro é achar que conta e ordem é sempre mais caro. O fee da trading parece alto. No entanto, quando você soma o custo de manter um despachante, pagar o RADAR e treinar equipe interna, a conta pode virar, especialmente para quem importa menos de quatro vezes por ano.
O segundo erro é migrar para a importação direta sem ter o RADAR habilitado com limite adequado. Se o seu limite atual não cobre o valor da importação, a operação trava. Portanto, saiba como aumentar o limite do RADAR antes de planejar volumes maiores.
O terceiro erro é ignorar o impacto do ICMS. Dependendo do estado onde sua empresa está, o diferencial de alíquota e os benefícios fiscais disponíveis podem mudar a viabilidade de cada modelo. Empresas em Santa Catarina, por exemplo, têm acesso a regimes tributários específicos que afetam diretamente o custo final da mercadoria importada. Nesse contexto, comparar conta e ordem vs importação direta sem considerar o cenário tributário estadual é um erro que custa caro.
Além disso, algumas empresas escolhem a conta e ordem por conveniência e perdem visibilidade sobre o processo. Sem acompanhar de perto o desembaraço, os prazos e os custos reais, fica difícil negociar melhor com fornecedores ou identificar onde o processo perde eficiência.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a análise de um especialista em comércio exterior. Cada operação tem características próprias que podem alterar significativamente os custos e as responsabilidades envolvidas. Consulte um profissional habilitado antes de tomar sua decisão.
Perguntas frequentes
Na conta e ordem, uma trading executa o processo aduaneiro em nome próprio, mas por conta da sua empresa. Na importação direta, sua empresa é a importadora legal e assume todas as responsabilidades perante o Fisco. Os tributos pagos são os mesmos nos dois casos.
Não. Na conta e ordem, o RADAR necessário é o da trading, não o da sua empresa. Por isso, esse modelo é muito usado por empresas que ainda não têm habilitação no Siscomex ou que estão começando a importar.
Não existe um número universal, mas empresas que realizam quatro ou mais importações por ano com valores acima de USD 50 mil costumam encontrar vantagem na importação direta. O ponto de equilíbrio depende do fee da trading, do custo da estrutura interna e dos benefícios fiscais disponíveis no seu estado.
A responsabilidade tributária principal recai sobre o adquirente, ou seja, sua empresa. A trading pode ter responsabilidade solidária em determinadas situações, mas o Fisco identifica sua empresa como parte do negócio. Portanto, monitorar o processo continua sendo obrigação sua.

