Licenciamento Ibama poluentes orgânicos: o que muda

O licenciamento Ibama poluentes orgânicos passa a exigir LI não-automática a partir de 2026. Veja quais NCMs são afetados e como se preparar.

Sua importação de químicos pode travar na aduana em julho de 2026

O licenciamento Ibama poluentes orgânicos vai mudar a rotina de quem importa químicos, eletrônicos e resinas a partir de 22 de julho de 2026. Uma empresa que importa regularmente esses produtos e não se preparar pode ter a mercadoria retida na aduana, aguardando uma licença que ninguém havia solicitado. Esse cenário é exatamente o que o novo licenciamento não-automático do Ibama para poluentes orgânicos persistentes pode causar para quem não agir antes do prazo.

Resumo rápido:
  • O Ibama passa a exigir Licença de Importação não-automática para NCMs relacionados a poluentes orgânicos persistentes (POPs).
  • O prazo de entrada em vigor é 22 de julho de 2026: importações registradas a partir dessa data já precisam da LI aprovada.
  • Sem a licença, o desembaraço fica bloqueado no Siscomex, gerando custos de armazenagem e risco de abandono.
  • A preparação precisa começar antes: o pedido de LI não-automática pode levar semanas para ser analisado pelo órgão.

O que são poluentes orgânicos persistentes e por que o Ibama age agora

Poluentes orgânicos persistentes, conhecidos pela sigla POPs, são substâncias químicas que resistem à degradação no meio ambiente. Além disso, acumulam-se em organismos vivos e percorrem longas distâncias pelo ar e pela água. Exemplos clássicos incluem certos pesticidas organoclorados, bifenilas policloradas (PCBs) e subprodutos industriais como dioxinas e furanos.

O Brasil é signatário da Convenção de Estocolmo. Esse acordo internacional obriga os países a controlar, reduzir e, quando possível, eliminar a produção e o uso dessas substâncias. O novo licenciamento Ibama poluentes orgânicos é, portanto, a forma de o Brasil operacionalizar esse compromisso na prática aduaneira. Cada importação passa a precisar de autorização prévia antes de ser desembaraçada.

Por isso, não se trata de uma medida temporária ou de burocracia sem fundamento. Trata-se de um controle ambiental com respaldo em tratado internacional. Dificilmente será revertido ou flexibilizado.

Cientista analisando substância química relacionada a poluentes orgânicos persistentes controlados pelo Ibama

Quais NCMs entram na exigência de licenciamento Ibama poluentes orgânicos

O comunicado oficial publicado no portal do Siscomex lista as posições tarifárias sujeitas ao novo controle. De forma geral, os NCMs afetados concentram-se em três grandes grupos:

  • Substâncias químicas industriais que contêm ou podem conter POPs na formulação, como determinados solventes clorados, óleos isolantes e fluidos hidráulicos à base de PCBs.
  • Resíduos e preparações químicas que enquadram misturas com traços dessas substâncias, mesmo quando o poluente orgânico persistente não é o componente principal do produto.
  • Equipamentos e componentes eletrônicos que historicamente utilizaram PCBs em transformadores, capacitores e outros dispositivos de alta tensão, especialmente peças de reposição para equipamentos mais antigos.

Para confirmar se o seu NCM específico consta na lista, consulte diretamente o comunicado disponível no portal do Siscomex. A lista é taxativa: se o código não estiver ali, a exigência de licenciamento Ibama poluentes orgânicos não se aplica por ora. Vale também entender como funciona a Licença de Importação no fluxo geral do desembaraço, já que esse documento é pré-requisito para registrar o despacho.

Como funciona a LI não-automática na prática

A diferença entre uma LI automática e uma não-automática é simples. Porém, o impacto no prazo é enorme. Na licença automática, o sistema defere o pedido em até 60 dias corridos. Na grande maioria dos casos, a aprovação sai em horas. Na licença não-automática para poluentes orgânicos persistentes, o Ibama analisa cada solicitação individualmente. Além disso, pode solicitar documentos complementares, laudos técnicos ou informações sobre o uso final da substância.

Na prática, o fluxo funciona assim:

  1. O importador abre o pedido de LI no módulo de licenciamento do Siscomex antes de registrar a Declaração de Importação (DI) ou a DUIMP.
  2. O Ibama analisa a solicitação. O prazo legal é de até 60 dias corridos. Pedidos incompletos podem ultrapassar esse limite.
  3. Com a LI aprovada, o importador registra o despacho normalmente. A LI vincula-se ao embarque e precisa estar válida na data do registro.
  4. Se a mercadoria chegar ao porto sem a LI aprovada, ela fica retida. Cada dia de armazenagem em recinto alfandegado gera custo, e o risco de abandono é real em operações com prazos apertados.

Portanto, para quem trabalha com ciclos de compra de 90 ou 120 dias, o pedido de LI precisa entrar no planejamento já na fase de negociação com o fornecedor. Não deixe para a véspera do embarque.

Tabela: LI automática x LI não-automática para POPs

Critério LI Automática LI Não-Automática (POPs)
Prazo de análise Até 60 dias (geralmente horas) Até 60 dias corridos, com risco de extensão
Documentação exigida Dados básicos da operação Laudo técnico, uso final, ficha de segurança (FISPQ)
Risco de indeferimento Baixo Moderado a alto, dependendo da substância
Impacto no planejamento Nenhum Antecipação de 30 a 60 dias no ciclo de compra
Vigência a partir de Já vigente 22 de julho de 2026
Consultor orientando empresário sobre licenciamento Ibama poluentes orgânicos antes do prazo de 2026

Quando buscar ajuda especializada

Três situações indicam que sua empresa precisa de apoio técnico antes de julho de 2026:

  • Você importa produtos químicos ou eletrônicos e ainda não fez o mapeamento dos NCMs. Ou seja, não sabe se algum código cai na lista de poluentes orgânicos persistentes controlados pelo Ibama.
  • Sua empresa nunca solicitou uma LI não-automática e não tem familiaridade com a documentação técnica exigida, como a Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ) em português.
  • Seu ciclo de compra é curto, com fornecedores asiáticos que embarcam em 30 dias após o pedido. Nesse caso, o prazo de análise do licenciamento Ibama poluentes orgânicos pode ser maior do que o tempo disponível.

Um despachante aduaneiro com experiência em licenciamento ambiental pode mapear os NCMs da sua operação, preparar a documentação técnica e acompanhar o pedido junto ao Ibama. Para operações com volumes expressivos, esse suporte costuma pagar o custo em uma única operação evitada de retenção portuária. Você pode verificar a situação do seu licenciamento diretamente no portal da Receita Federal, que consolida as informações do Siscomex.

Além disso, se sua empresa ainda não tem o RADAR de importação habilitado ou precisa ampliar o limite para acomodar operações maiores, vale revisar esse ponto em paralelo. Entenda o que é o RADAR de importação e como ele se encaixa no planejamento das suas importações. Afinal, o licenciamento Ibama de poluentes orgânicos é apenas uma das exigências que podem segurar seu desembaraço se o planejamento não estiver em ordem.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise de um despachante aduaneiro ou consultor especializado. Para confirmar se os NCMs da sua operação estão sujeitos ao novo licenciamento, consulte o comunicado oficial no portal do Siscomex e busque orientação técnica antes de julho de 2026.

Perguntas frequentes

O que é uma LI não-automática e por que ela demora mais?

A LI não-automática exige análise individual pelo órgão anuente, no caso o Ibama, que pode solicitar laudos técnicos e informações sobre o uso final da substância. Diferente da LI automática, que costuma ser deferida em horas, a não-automática pode levar até 60 dias corridos ou mais, dependendo da complexidade do pedido.

A partir de quando a exigência de LI não-automática para poluentes orgânicos persistentes passa a valer?

O prazo definido pelo Ibama é 22 de julho de 2026. Importações com registro de despacho a partir dessa data já precisam apresentar a LI aprovada para prosseguir com o desembaraço.

Eletrônicos também podem ser afetados pelo novo licenciamento?

Sim. Equipamentos e componentes eletrônicos que historicamente utilizaram bifenilas policloradas (PCBs), como transformadores e capacitores de alta tensão, especialmente peças de reposição para equipamentos mais antigos, podem ter NCMs listados na exigência. Verifique o comunicado oficial no Siscomex para confirmar os códigos específicos.

O que acontece se a mercadoria chegar ao porto sem a LI aprovada?

A carga fica retida no recinto alfandegado aguardando regularização. Cada dia de armazenagem gera custo, e se a LI for indeferida, a mercadoria pode precisar ser reexportada ou destruída. Por isso, solicitar a LI antes do embarque é indispensável.