Classificação fiscal na importação de filamentos para impressão 3D: Solução de Consulta

A classificação fiscal na importação de materiais para impressão 3D foi objeto de análise pela Receita Federal do Brasil (RFB), que emitiu esclarecimentos importantes através da Solução de Consulta nº 98.153 – COSIT, de 29 de abril de 2021. Esta decisão traz orientações valiosas para importadores de filamentos de PLA utilizados em impressoras 3D, mercado que cresce significativamente no Brasil.

Identificação da Norma

  • Tipo de norma: Solução de Consulta
  • Número/referência: 98.153 – COSIT
  • Data de publicação: 29 de abril de 2021
  • Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil

Contexto da Consulta

Um contribuinte solicitou orientação à Receita Federal sobre a correta classificação fiscal na importação de monofilamentos de poli(ácido lático) – PLA, utilizados como insumo para impressoras 3D. O material em questão apresenta características específicas: diâmetro da seção transversal de 1,75 ou 2,85 mm, fornecido em rolos, pigmentado em diversas cores e acondicionado em caixas de aproximadamente 1 kg.

A determinação da classificação correta é essencial para o cálculo dos tributos incidentes na importação, além de determinar a aplicação de eventuais medidas de controle administrativo, como licenças de importação e certificações específicas.

Análise Técnica da Receita Federal

Na análise da mercadoria, a autoridade aduaneira baseou-se nas Regras Gerais para Interpretação (RGI) do Sistema Harmonizado, nas Regras Gerais Complementares do Mercosul (RGC) e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), estabelecendo os seguintes pontos técnicos:

Características do Material

O produto foi identificado como monofilamento de poli(ácido lático) – PLA, um polímero sintético termoplástico do grupo dos poliésteres. Conforme destacado na análise, o PLA é normalmente produzido a partir do ácido láctico obtido por síntese ou fermentação, sendo utilizado para fabricação de fibras têxteis, materiais de embalagem e para uso médico.

A decisão destacou características determinantes para a classificação fiscal na importação:

  • Material termoplástico que pode ser repetidamente amolecido por aquecimento
  • Seção transversal com diâmetro constante e superior a 1 mm
  • Obtido pelo processo de extrusão
  • Fornecido em comprimento indeterminado

Enquadramento na NCM

Com base nas características identificadas, a Receita Federal determinou que o produto não se apresenta em “forma primária” (conforme definição da Nota 6 do Capítulo 39), mas sim como um monofilamento. Consequentemente, o produto foi classificado na posição 39.16 da NCM (“Monofilamentos cuja maior dimensão da seção transversal seja superior a 1 mm, varas, bastões e perfis, mesmo trabalhados à superfície, mas não trabalhados de outro modo, de plástico”).

Seguindo a aplicação das regras de classificação, o produto foi enquadrado na subposição 3916.90 (“De outro plástico”) por não ser constituído de polímeros de etileno nem de cloreto de vinila, e finalmente no item 3916.90.10 (“Monofilamentos”).

Fundamentação Legal

A decisão fundamentou-se nos seguintes dispositivos:

  • RGI 1 (Nota 1 do Capítulo 39 e texto da posição 39.16)
  • RGI 6 (texto da subposição de primeiro nível 3916.90)
  • RGC 1 (texto do item 3916.90.10)
  • TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 125, de 2016
  • TIPI, aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 2016
  • Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018

A consulta à íntegra da Solução pode ser feita no site da Receita Federal através do link oficial.

Impactos Práticos para Importadores

A determinação da correta classificação fiscal na importação de filamentos para impressão 3D traz diversas implicações práticas:

Tributação

A classificação no código NCM 3916.90.10 determina as alíquotas dos tributos aplicáveis, como Imposto de Importação (II), IPI, PIS/COFINS-Importação e ICMS-Importação. Conhecer antecipadamente esta classificação permite um planejamento tributário mais eficiente e a correta previsão de custos na importação.

Conformidade Aduaneira

Utilizar a classificação adequada nos registros de importação evita questionamentos pela fiscalização aduaneira, reduzindo riscos de retenções, multas ou reclassificações que poderiam impactar negativamente os custos e prazos da operação.

Controles Administrativos

A classificação correta é fundamental para verificar a necessidade de licenças, certificados ou outros documentos exigidos por órgãos anuentes como INMETRO ou ANVISA. Para o código 3916.90.10, é importante verificar as exigências específicas aplicáveis a materiais plásticos.

Benefícios Fiscais

A classificação determinada permite avaliar a aplicabilidade de regimes especiais ou benefícios fiscais disponíveis para importação desse tipo de material, como ex-tarifários ou regimes de drawback para empresas que utilizam esses filamentos em processos produtivos voltados à exportação.

Comparação com Situações Similares

É importante destacar que a classificação fiscal na importação de materiais similares pode variar de acordo com características específicas:

  • Filamentos com diâmetro inferior a 1mm seriam classificados em outras posições da NCM
  • Materiais em formas primárias (grânulos, pós, etc.) teriam classificação nas posições 39.01 a 39.14
  • Produtos já constituídos (peças prontas feitas por impressão 3D) teriam classificação de acordo com sua função

A decisão da Receita Federal cria um precedente importante para importadores deste tipo de material, estabelecendo critérios claros de classificação que podem ser aplicados a produtos similares.

Considerações Finais

A Solução de Consulta analisada representa um importante parâmetro para importadores de filamentos utilizados em impressão 3D. A correta classificação fiscal na importação desses materiais é essencial para garantir conformidade com a legislação aduaneira brasileira e otimizar os custos operacionais.

Importadores devem considerar os seguintes pontos práticos:

  • Verificar se seus produtos têm exatamente as mesmas características descritas na consulta
  • Obter documentação técnica detalhada do fornecedor para comprovar a composição e características físicas dos filamentos
  • Consultar previamente um especialista em classificação fiscal para casos de dúvida
  • Considerar a possibilidade de formalizar consulta própria à Receita Federal em caso de mercadorias com características distintas

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